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Confiança do consumidor recua em fevereiro e atinge menor nível desde agosto de 2025, aponta FGV IBRE

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A FGV IBRE informou que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 1,2 ponto em fevereiro de 2026, para 86,1 pontos — o menor nível desde agosto de 2025. Esta é a segunda queda consecutiva do indicador, que também apresentou retração de 0,9 ponto na média móvel trimestral (87,5 pontos). Na comparação interanual, porém, o ICC ainda registra alta de 1,4 ponto. O resultado sinaliza aumento do pessimismo dos consumidores, em um contexto de juros e endividamento elevados.

A piora foi puxada principalmente pelas expectativas para os próximos meses. O Índice de Expectativas (IE) caiu 2,6 pontos, para 88,7 pontos, refletindo recuos expressivos na percepção sobre a situação financeira futura das famílias (-4,9 pontos) e nas compras previstas de bens duráveis (-3,8 pontos). Em contrapartida, o Índice de Situação Atual (ISA) subiu 0,9 ponto, para 83,5 pontos, com melhora tanto na avaliação da situação financeira atual das famílias quanto da economia local, cujo indicador atingiu o maior nível desde janeiro de 2014.

O desempenho foi heterogêneo entre as faixas de renda. A confiança caiu de forma mais intensa entre as famílias com renda de até R$ 2.100 (queda de 5,9 pontos, para 79,9 pontos) e recuou entre aquelas com renda entre R$ 4.800 e R$ 9.600. Já os consumidores com renda acima de R$ 9.600 registraram alta de 1,3 ponto, alcançando 96,1 pontos. O cenário reforça a leitura de que o ambiente econômico tem impactado de forma mais significativa as camadas de menor poder aquisitivo.

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Déficit em conta corrente recua em janeiro, com alta do superávit comercial e fluxo recorde de investimentos em carteira

O setor externo iniciou 2026 com melhora no resultado das transações correntes. Em janeiro, o déficit foi de US$ 8,4 bilhões, inferior aos US$ 9,8 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. A redução refletiu principalmente o aumento do superávit comercial de bens, que alcançou US$ 3,5 bilhões (ante US$ 1,4 bilhão um ano antes), impulsionado por queda mais intensa das importações (-10%) do que das exportações (-1,2%). O déficit em serviços recuou 12,8%, para US$ 4,0 bilhões, apesar da alta nas despesas com viagens internacionais. Em contrapartida, o déficit em renda primária aumentou 18,7%, totalizando US$ 8,3 bilhões, pressionado por maiores remessas de lucros, dividendos e juros. No acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB).

No financiamento externo, os investimentos diretos no país somaram US$ 8,2 bilhões em janeiro, acima dos US$ 6,7 bilhões observados um ano antes, elevando o acumulado em 12 meses para US$ 79,1 bilhões (3,42% do PIB). Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram ingressos líquidos de US$ 8,9 bilhões — o maior resultado desde julho de 2018 — com destaque para títulos de dívida. Em 12 meses, esses fluxos totalizam US$ 24,9 bilhões, revertendo saídas observadas em janeiro de 2025. As reservas internacionais atingiram US$ 364,4 bilhões, com aumento mensal de US$ 6,1 bilhões, sem intervenções no mercado de câmbio.

A partir de fevereiro de 2026, o Banco Central do Brasil promoveu reorganização na divulgação das Estatísticas do Setor Externo. Parte das tabelas passa a ser publicada nas Tabelas Especiais, nos Indicadores Econômicos Consolidados e no Sistema Gerenciador de Séries (SGS). Indicadores como taxa de rolagem, dívida externa/PIB e métricas de sustentabilidade poderão ser calculados diretamente a partir das séries disponíveis, conforme Nota Explicativa que detalha as novas metodologias alinhadas aos padrões internacionais.

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Projeções indicam queda da inflação e da Selic em 2026, leve alta do PIB e câmbio mais apreciado no curto prazo

As projeções para a inflação seguem em trajetória de queda. A mediana do mercado para o IPCA de 2026 recuou de 3,95% para 3,91%, mantendo o movimento de revisão para baixo observado nas últimas seis semanas. Para 2027 e 2028, as estimativas permanecem em 3,80% e 3,50%, respectivamente. O resultado de janeiro mostrou dinâmica benigna, com destaque para a desaceleração de alimentos e energia elétrica. A expectativa é de IPCA em torno de 3,8% em 2026, ainda acima da meta de 3,0% no médio prazo.

No campo da atividade, as projeções para o PIB de 2026 avançaram levemente, de 1,80% para 1,82%. Para 2027 e 2028, o mercado projeta crescimento de 1,80% e 2,00%, respectivamente. Apesar da desaceleração observada no quarto trimestre e do enfraquecimento de setores mais sensíveis ao crédito — como bens de capital e bens de consumo duráveis — a expectativa é de reaceleração ao longo de 2026, impulsionada por medidas fiscais e creditícias anunciadas anteriormente.

Em relação à política monetária, a mediana das projeções para a taxa Selic de 2026 caiu de 12,25% para 12,13%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 estão em 10,50% e 10,00%. A perspectiva é de início do ciclo de cortes pelo Copom já em março, diante de inflação corrente mais comportada e perda de fôlego da atividade. No câmbio, a projeção para o fim de 2026 recuou de R$/US$ 5,50 para R$/US$ 5,45, refletindo a recente desvalorização do dólar frente a emergentes, embora incertezas domésticas possam gerar volatilidade ao longo do ano.

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Agenda Econômica para a próxima semana: 12/01 a 16/01

segunda-feira, 2 de março de 2026:

  • Boletim Focus;
  • PMI Industrial S&P Global (Fev)

terça-feira, 3 de março de 2026:

  • IPC-Fipe (Mensal) (Fev);
  • PIB do Brasil (Anual) (Q4);

quarta-feira, 4 de março de 2026:

  • IPP (Mensal) (Jan);
  • PMI de do Setor de Serviços S&P Global (Fev);

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