O Centro de Inteligência em Economia e Estratégia Territorial (CIET), vinculado à Secretaria do Planejamento (Seplan), acaba de divulgar um estudo intitulado “Projeções Populacionais do Piauí: Efeitos na Demanda por Serviços de Educação e Saúde”. Elaborado com base nas projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024, o estudo tem caráter informativo e visa apoiar a comunidade acadêmica, a sociedade em geral e, especialmente, os gestores públicos na formulação de políticas voltadas à realidade demográfica do estado.
A principal constatação do estudo é que o Piauí seguirá uma tendência nacional de envelhecimento populacional. A expectativa é de que a população atinja seu pico em 2036 e inicie, a partir de 2037, um processo de declínio progressivo. Em 2070, o estado deverá ter uma população menor e com uma pirâmide etária invertida, concentrada entre pessoas com idade entre 60 e 74 anos.
A transição demográfica no Piauí terá efeitos diretos sobre o sistema educacional. Com a redução das taxas de natalidade, as projeções indicam uma queda superior a 50% na demanda por creches, pré-escolas, ensino fundamental e médio até 2070. Embora a frequência escolar atual de crianças e adolescentes seja alta, essa tendência será afetada pelo número cada vez menor de nascimentos. Ainda assim, a valorização da primeira infância e o aumento da participação feminina no mercado de trabalho devem manter a demanda por creches e educação infantil em níveis que exigem atenção contínua do poder público.
No setor da saúde, o envelhecimento da população deve provocar um aumento expressivo nos diagnósticos de doenças crônicas. O estudo projeta um crescimento de 84,63% nos casos de AVC, 71,84% nas doenças cardiovasculares e 67,57% nos diagnósticos de diabetes até 2070. A hipertensão permanecerá como a condição crônica mais comum, com previsão de afetar quase 900 mil pessoas no estado. Entre homens e mulheres, há diferenças relevantes no padrão de doenças. Artrite, colesterol alto, depressão e diabetes são mais prevalentes entre mulheres idosas.
Essas diferenças podem ser parcialmente explicadas pela maior busca de serviços de saúde pelas mulheres. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 revelam que, nos 12 meses anteriores à pesquisa, 1,34 milhão de mulheres realizaram consultas médicas, contra 1,01 milhão de homens. Já nas duas semanas anteriores à pesquisa, cerca de 313 mil mulheres buscaram atendimento de saúde, frente a 185 mil homens, uma diferença de 68,60%.
O estudo também chama atenção para os impactos dessa transição sobre as mulheres, que tendem a assumir grande parte da responsabilidade pelo cuidado de crianças pequenas e idosos. A necessidade de conciliar trabalho e responsabilidades domésticas evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à assistência social e ao suporte à mulher, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade econômica.
A partir das projeções apresentadas, o estudo fornece subsídios para que o poder público possa reorganizar a alocação de recursos, planejar investimentos e criar políticas específicas para enfrentar os novos desafios decorrentes do envelhecimento populacional. As áreas de saúde e educação são diretamente afetadas por essa mudança estrutural e devem ser monitoradas com atenção para que o estado possa garantir qualidade de vida à população.
A metodologia adotada pelo CIET é baseada em fontes oficiais como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), a PNS e as projeções do IBGE. Embora as projeções assumam como constantes algumas proporções ao longo dos anos, o modelo permite revisões periódicas sempre que novas rodadas de dados estiverem disponíveis.
O documento completo está disponível e pode ser acessado através do link: www.seplan.pi.gov.br/cepro/publicacoes.