
As projeções de inflação seguem pressionadas. A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 avançou marginalmente de 4,91% para 4,92% — acima dos 4,80% observados há quatro semanas — enquanto, para 2027, a projeção aparenta estabilização em 4,00%, após as altas recentes. Já para 2028, as expectativas subiram levemente de 3,64% para 3,65%, acima dos 3,60% registrados há um mês. O movimento de revisões altistas sugere que o mercado continua incorporando um ambiente inflacionário mais desafiador, influenciado principalmente pelos choques no preço do petróleo decorrentes do conflito no Oriente Médio. Em linha com esse cenário, as expectativas para a taxa Selic também voltaram a subir: para o fim de 2026, a mediana passou de 13,00% para 13,25%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 permaneceram em 11,25% e 10,00%, respectivamente. O mercado enxerga menor espaço para flexibilização monetária no curto prazo, diante da persistência das pressões inflacionárias e do descolamento das expectativas em relação à meta de 3,0% no horizonte relevante.
Para a atividade econômica, a mediana das projeções para o crescimento do PIB em 2026 permaneceu em 1,85%, enquanto, para 2027, houve nova revisão altista marginal, de 1,76% para 1,77%. Para 2028, a expectativa segue em 2,00%. Nossa estimativa para o crescimento real do PIB em 2026, atualmente em 2,0%, mantém viés de alta. Embora o conflito no Oriente Médio represente um fator adverso para a atividade — via pressão inflacionária, redução da renda disponível e menor espaço para cortes de juros —, as medidas adicionais de estímulo à renda e ao crédito devem continuar sustentando a demanda doméstica. No câmbio, a projeção para o fim de 2026 permaneceu em R$/US$ 5,20, enquanto as expectativas para 2027 e 2028 foram revisadas para baixo, de R$/US$ 5,30 para R$/US$ 5,27 e de R$/US$ 5,35 para R$/US$ 5,34, respectivamente. Apesar da volatilidade global recente, o mercado continua projetando um real relativamente mais apreciado, refletindo a percepção de que o Brasil pode emergir como vencedor relativo no contexto do conflito no Oriente Médio.
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IBC-Br recua em março, mas atividade fecha 1º trimestre de 2026 em alta
A atividade econômica brasileira apresentou retração de 0,67% em março, segundo o IBC-Br, indicador do Banco Central do Brasil utilizado como sinalizador antecedente do PIB. O resultado interrompeu a sequência de dois meses consecutivos de alta e ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetavam queda de 0,2%. Com o recuo, o indicador deixou o maior nível da série histórica, iniciada em 2003, passando de 111 mil pontos em fevereiro para 110,2 mil pontos na série dessazonalizada. A desaceleração foi puxada principalmente pelo setor de serviços — responsável por cerca de 70% do PIB nacional —, que recuou 0,79% na comparação mensal. A agropecuária e a indústria também registraram desempenho negativo, com quedas de 0,21% e 0,23%, respectivamente.
Apesar da retração observada em março, a atividade econômica encerrou o primeiro trimestre com expansão de 1,23% frente aos três últimos meses de 2025, refletindo, sobretudo, o avanço de 1,3% da indústria no período. A agropecuária e os serviços também apresentaram crescimento superior a 1% no trimestre. Em termos acumulados, o IBC-Br registra alta de 1,8% nos últimos 12 meses, impulsionada principalmente pelo crescimento de 5,8% da agropecuária, além dos avanços de 2,1% no volume de serviços e de 0,7% na atividade industrial. As comparações interanuais também seguem positivas: na série sem ajuste sazonal, a prévia do PIB ficou 3,1% acima do registrado em março de 2025 e apresentou crescimento de 1,4% frente ao primeiro trimestre do ano anterior.
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BC divulga o Relatório de Estabilidade Financeira do segundo semestre de 2025
O Banco Central do Brasil divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025, destacando que não há risco relevante para a estabilidade financeira no país. Segundo a autoridade monetária, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece com níveis confortáveis de capitalização, liquidez e provisões compatíveis com as perdas esperadas. A rentabilidade do sistema bancário manteve-se praticamente estável, evidenciando resiliência e capacidade de geração de lucros para fortalecimento do capital. Os testes de estresse de capital e liquidez também reforçam a percepção de robustez do sistema bancário brasileiro. O BC avaliou ainda que a liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao conglomerado Master não provocou efeitos sistêmicos relevantes, uma vez que os recursos ressarcidos pelo FGC migraram majoritariamente para instituições de maior porte, em linha com o esperado em processos de resolução bancária. O amplo acesso das instituições financeiras ao mercado de captação também sinalizou manutenção da confiança dos depositantes na solidez do SFN.
O relatório aponta que o crédito continuou desacelerando, acompanhando a moderação da atividade econômica. No segmento das famílias, observou-se arrefecimento nas modalidades de maior risco, embora o crédito pessoal não consignado siga crescendo em ritmo elevado, com aumento da participação de operações sem garantia. Entre as empresas, a desaceleração ocorreu de forma disseminada entre companhias de todos os portes. Apesar desse movimento, o mercado de capitais continuou expandindo em ritmo superior ao crédito bancário. A materialização de riscos permaneceu compatível com a ainda desafiadora capacidade de pagamento de empresas e, principalmente, das famílias. No crédito corporativo, os indicadores de risco permaneceram relativamente estáveis, enquanto, no crédito às famílias, houve aumento dos ativos problemáticos em todas as modalidades, refletindo o avanço da inadimplência. O BC avalia que a capacidade de pagamento das famílias deve seguir pressionada, sobretudo entre os tomadores de menor renda. Além do cenário doméstico, o REF também aborda o sistema financeiro internacional, as infraestruturas do mercado financeiro e temas específicos como custo do crédito e spread bancário, concentração bancária, intermediação financeira não bancária e riscos sociais, ambientais e climáticos.
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Agenda Econômica para a próxima semana: 25/05 a 29/05
Segunda-feira, 25 de maio de 2026:
- Boletim Focus;
- Confiança do Consumidor FGV (Mai).
Terça-feira, 26 de maio de 2026:
- Transações Correntes (USD) (Abr);
- Investimento Estrangeiro Direto (USD) (Abr).
Quarta-feira, 27 de maio de 2026:
- IPCA-15 Acumulado 12 meses (Anual) (Mai);
Quinta-feira, 28 de maio de 2026:
- IGP-M (Mensal) (Mai);
- Taxa de Desemprego no Brasil (Abr).
