Estado registra queda nos óbitos infantis entre 2015 e 2024, mas indicadores ainda permanecem acima das médias do Nordeste e do Brasil
O Piauí apresentou avanços importantes na redução da mortalidade infantil nos últimos dez anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais na saúde materno-infantil. É o que aponta o boletim Indicadores em Foco: Mortalidade Materna e Infantil no Piauí no período de 2015 a 2024, elaborado pelo Centro de Inteligência em Economia e Estratégia Territorial (CIET), vinculado à Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan).
De acordo com o levantamento, o número de óbitos infantis no estado caiu de 730 registros, em 2015, para 566, em 2024, representando uma redução de aproximadamente 22,5% ao longo da série histórica. O estudo também aponta estabilidade nos índices de mortalidade materna. Entre 2015 e 2024, foram registrados 391 óbitos maternos no Piauí, com oscilações significativas ao longo dos anos e aumento expressivo em 2021, período marcado pelos impactos da pandemia da Covid-19 sobre os serviços de saúde.
Segundo o boletim, a pandemia provocou sobrecarga no sistema de saúde, dificuldades de acesso aos atendimentos e reorganização da rede assistencial, fatores que contribuíram para o agravamento dos riscos obstétricos e para o aumento das mortes maternas naquele período.
O perfil das vítimas evidencia desigualdades sociais e raciais persistentes. A maioria dos óbitos maternos ocorreu entre mulheres pardas, com idade entre 20 e 39 anos e escolaridade entre 8 e 11 anos de estudo. Já entre os óbitos infantis, houve predominância entre crianças pardas e do sexo masculino.
O componente neonatal precoce — que compreende as mortes ocorridas entre 0 e 6 dias de vida — continua sendo o principal responsável pela mortalidade infantil no estado. Mesmo com redução nos últimos anos, especialistas apontam que o indicador está diretamente relacionado à qualidade do pré-natal, da assistência ao parto e dos cuidados neonatais.
A análise territorial também revelou desigualdades entre as regiões piauienses. Apenas os territórios Entre Rios, Planície Litorânea e Vale do Canindé apresentaram redução estatisticamente significativa da mortalidade infantil no período analisado. Nas demais regiões, os indicadores permaneceram estáveis, reforçando a necessidade de políticas públicas regionalizadas e voltadas às vulnerabilidades locais.
O boletim conclui que a redução mais acelerada da mortalidade materna e infantil no Piauí depende do fortalecimento da rede de atenção obstétrica e neonatal, da ampliação do acesso aos serviços de saúde e do enfrentamento das desigualdades sociais, raciais e territoriais que ainda impactam diretamente a população mais vulnerável do estado.